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Como fazer a terceirização da produção de vinhos e algumas de suas etapas

É antiga a tradição de vinicultores alugarem equipamento e mão de obra para viabilizar a sua produção. Há, inclusive, um termo para isso: ciganos. Dessa maneira, muitos produtores menores conseguem transformar em realidade a sua produção e, assim, abocanhar uma fatia desse mercado em expansão que é a produção (e a demanda por) de vinho no Brasil.

Mas os benefícios não se concentram apenas nos novos produtores. Afinal de contas, para quem já dispunha do conhecimento e capacidade produtiva, a oportunidade é ótima para expandir o negócio, rentabilizar o seu equipamento e fazer novas parcerias.

A terceirização de produtos, pouco a pouco, popularizada

Quem já vinha fazendo uso dessa modalidade de negócio é a Dunamis, que iniciou o plantio em 2001 com uma variedade rica de uvas, como:

  • Cabernet franc;
  • Chardonnay;
  • Merlot;
  • Pinot noir;
  • Sauvignon blanc;
  • Tannat.

A ideia seguinte consistiu no investimento em matéria-prima, uma vez que seu gestor, Celso Gromowski, buscava oferecer uma filosofia de negócios mais contemporânea. E, com o tempo, a terceirização no processo de vinificação passou a ser moldada.

Para isso, Gromowski encontrou a Geisse (referência em espumantes) para processar seus espumantes na Cordilheira de Santana, em Santana do Livramento (RS), e em Pinto Bandeira (RS).

Outra empresa que já aderiu ao processo foi a bodega Czarnobay, que viu na terceirização uma oportunidade de produzir o seu espumante por meio do método tradicional (charmat), e em menor escala.

Ou seja: para o lote anual da empresa, de nada compensaria o investimento em um maquinário, que demoraria muito tempo para pagar o valor investido. Dessa maneira, a terceirização nos produtos da empresa foi a solução mais viável.

Isso porque, nesse investimento de menor porte, incluem-se o maquinário, os custos fixos e despesas gerais, apenas. Diferentemente do aporte necessário para iniciar uma produção própria do zero. Hoje em dia, esse tipo de trabalho colaborativo é um trunfo importante para diferentes segmentos e oportunidades diferentes.

Uma delas é a garantia de que o produto manterá as características fundamentais da empresa que está investindo o seu produto e dinheiro no negócio. Eles continuam produtores, apenas utilizando outros equipamentos.

Desde então, a Dunamis vem colhendo os bons resultados desse novo perfil mercadológico adotado. Para se ter uma ideia: houve um aumento de 30% no volume e no faturamento da empresa, em 2014. Gromowski acredita que essa mudança foi significativa para a empresa consolidar a marca, enquanto trabalha em um projeto para montar a sua própria estrutura de vinificação.

Dá para se deduzir, portanto, que a terceirização é, também, uma maneira de economizar e, ainda assim, ampliar a sua atuação para desenvolver o negócio mais à frente.

Dicas para fazer a terceirização dos seus produtos

Mencionamos, anteriormente, a Geisse como a solução encontrada pela empresa Dunamis para reduzir seus custos e garantir a produção dos seus produtos com qualidade.

A empresa, que explora o potencial da região de Pinto Bandeira desde 1979, é uma das grandes referências na região Sul do País, hoje mantendo uma extensa área de 23 hectares no Rio Grande do Sul.

Ainda assim, os desafios comuns aos vinicultores também impactaram a empresa, que viu um fator determinante na escolha da variedade e qualidade de suas uvas: uma capacidade produtiva limitada.

Paralelamente, entretanto, o investimento em tecnologia e em mão de obra especializada tornou a empresa no local ideal para novos produtores explorarem o uso desse tempo ocioso pautado pela produção própria da Geisse.

E esse pode ser o primeiro passo de inspiração para tornar qualquer negócio mais estratégico e lucrativo. E esta é uma visão até que geral do mercado.

“Algumas vinícolas produzem sob demanda, com o nome ou marca de terceiros. E o benefício é mútuo, pois o produtor tem um volume de venda dedicado e exclusivo, podendo obter uma renda adicional daquela proveniente dos meios normais de comercialização. E, pelo lado do cliente, comprando um volume maior, pode obter vantagens de preço nessa compra também” analisa o diretor técnico da SBAV/SP (Associação Brasileira dos Amigos do Vinho) Agilson Gavioli.

Além do fato de ser uma interessante promoção de marca, que também explora bem o produtor e a empresa que terceirizou a produção. “Ambos ganham com a parceria, pois o nome do produtor continua aparecendo no contra-rótulo da marca terceirizada. É uma forma de marketing interessante” diz Gavioli.

E, no que diz respeito às etapas de terceirização do produto, é recomendável que, primeiro, o futuro produtor saiba, perfeitamente, o tipo de vinho que deseja produzir, bem como a sua safra e a média de valor em que o produto será comercializado.

Vale, inclusive, pesquisar no mercado produtos similares aos que você tem idealizado para degustá-los e conhecer as vinícolas que os produzem.

Dessa maneira, você já se aprofunda no mercado desejado, podendo focar nos aspectos burocráticos da terceirização do seu vinho, que é a construção da sua marca.

Nesta etapa, é necessário:

  • Cadastrar e registrar a sua marca no sistema e-INPI (que é o Instituto Nacional da Propriedade Intelectual);
  • Emitir e pagar a Guia de Recolhimento da União (GRU);
  • Preencher e enviar os formulários específicos para a formulação e formalização do pedido (clique aqui para conhecer os valores relativos ao registro de marca).
  • Depois, é necessário confeccionar a imagem da sua marca, adequando-a entre:
  • Nominativa: formada por palavras, neologismos ou mesmo por uma combinação de números e letras.
  • Figurativa: um desenho, ideograma ou manifestação figurativa fantasiosa de uma letra ou algarismo;
  • Mista: formada pela combinação de imagens e palavras.
  • Tridimensional: considerada aquela que cuja forma de um produto torna-a possível de distingui-la de produtos similares

Por fim, basta acessar o site e-Marcas, preencher o formulário e seguir as instruções.

Todo esse processo é importante, ao buscar a terceirização, porque a marca registrada garante o direito de uso exclusivo em todo o território nacional (pelo período de dez anos, podendo prorrogá-lo por mais dez).

Em seguida, é importante encontrar uma empresa que consiga ser flexível para atender a sua demanda, e não o oposto. Afinal de contas, o contrato deve prever a sua produção necessária, para que o modelo de negócio mantenha a sua marca sempre em expansão.

É importante, também, conferir se a produtora é qualificada (em termos de maquinário e mão de obra) para lidar com o seu produto, em particular, e se a logística de entrega da mercadoria corresponde com a realidade do seu negócio.

Isso porque é fundamental pensar em todo o trâmite para que não atrase o seu cronograma ou torne todo o processo menos econômico.

Gavioli aponta, ainda, que “após identificado um parceiro e ajustado os termos comerciais,  tem todo o trabalho de comunicação visual e identificação da marca, rótulos, registro, o lado formal da coisa, e assim iniciar a divulgação e promoção de sua própria marca”.

Lembre-se que ao terceirizar a produção de vinhos, é necessário saber quais são os seus principais objetivos com tal medida, pois terceirizar irá abrir uma janela de tempo disponível e hábil para focar no desenvolvimento da sua marca, enquanto a produção fica concentrada em outra região.

Prova de que produtores de todos os portes têm aderido a esse tipo de serviço é a própria popularização da terceirização.

Existem, inclusive, empresas que estão se especializando cada vez mais nesse mercado de oferecer a infraestrutura para que produtores atinjam o nível de qualidade que buscam em seus rótulos.

Afinal de contas, já havíamos adiantado que trata-se de uma oportunidade benéfica para ambas as partes, e que ajudam a desenvolver ainda mais o setor em diferentes ângulos.

Algo fundamental para que o setor de vinhos continue crescendo e trazendo mais novidades, frescor em produtos e uma versatilidade cada vez maior em serviços e produtos.

Sem falar em novos produtores, que podem ingressar nesse mercado e garantir ainda mais visibilidade ao setor de vinhos como um todo.

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