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Entenda as vantagens da maceração carbônica para sua produção de vinho

Entenda as vantagens da maceração carbônica para sua produção de vinho

A produção de vinho é uma arte, mas também envolve muita transpiração criativa para elaborar processos diferenciados, visando resultados distintos na milenar bebida. Um deles é a maceração carbônica, que se tornou altamente popular entre os tintos, e com resultados que têm cativado a atenção de mais produtores e, consequentemente, a apreciação de mais consumidores. Mas, afinal: o que seria a maceração carbônica e quais são os resultados obtidos a partir desse processo que já vinha sendo experimentado desde as últimas décadas do século 19? Veremos a seguir, ao longo deste artigo. Confira!

O que é a maceração carbônica?

Louis Pasteur — figurinha carimbada na história das bebidas fermentadas, principalmente por ser responsável pelo advento do processo de pasteurização — já fazia os primeiros testes de maceração carbônica, lá em meados de 1872. Isso, obviamente, não faz com que o processo seja uma grande novidade entre os produtores. Mas o aperfeiçoamento da técnica, sim. Não à toa, o mercado de vinhos tem se devotado a esse trabalho diferenciado para encantar os apreciadores da bebida.

O processo, em si, é explicado pela sommelière Debora Alkimin: “a maceração carbônica é um processo de fermentação conhecido como intracelular. Nele, são usados os grãos de uvas inteiros, sem esmagá-los, e tem uma duração variada, mas não passa de algumas semanas”, relata a profissional, que também aproveita para explicar os resultados obtidos do processo:

“Como essa ação cria álcool em pequenas quantidades, é possível extrair diversos componentes aromáticos, o que pode conferir aspectos interessantes à bebida”. Isso quer dizer que, ao manter juntos o bagaço do suco extraído da fruta no processo de fermentação, obtém-se menos acidez e um aumento no aroma da bebida. Vinhos leves, mas com boa conservação dos aromas primários da uva.

Quais são os desafios da maceração carbônica?

Debora atenta para alguns fatores que podem colocar em risco o processo e, assim, prejudicar as intenções iniciais ao fazer a maceração carbônica: “Como a acidez do vinho pode ser menor, existe a possibilidade de surgirem algumas bactérias capazes de colocar a perder toda a produção”, alerta a sommelière, embora ela também acredite que os profissionais mais experimentados a essa técnica driblem habilmente o risco.

Um ponto inevitável, entretanto, é o envelhecimento precoce do vinho quando produzido por meio da maceração carbônica. Até por isso, os rótulos nascidos do processo são aqueles mais jovens e com a recomendação de serem consumidos em um curto intervalo de tempo.

Por que realizar a maceração?

Muitos produtores têm justificado o uso da técnica para extrair, de seus vinhos, mais frescor e o já citado aroma primário da uva. Isso tem contribuído para a realização de rótulos mais acessíveis ao consumidor. E isso pode ser determinante para garantir aos apreciadores, em suas primeiras degustações, uma porta de entrada ainda mais convidativa para explorar toda a complexidade dos vinhos.

Afinal, como dissemos, a maceração carbônica tem sido mais idealizada para trazer acessibilidade ao vinho — principalmente, pela sua característica de envelhecer não muito bem. Consequentemente, o consumidor pode se aproveitar dessa interessante forma em produzir vinhos para compreender uma complexidade diferenciada da bebida que cai tão bem no dia a dia e em ocasiões especiais.

E, já que estamos falando desse momento degustativo inicial, que tal conferir o nosso material gratuito sobre os vinhos da América do Sul, podendo trazer algumas novidades para você indicar aos amigos de profissão?