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Produtores e associações identificam enoturismo como oportunidade de novos negócios

Produtores e associações identificam enoturismo como oportunidade de novos negócios

Viagens associadas à produção e consumo de bebidas têm ganhado espaço nos últimos anos. Quem se destaca nesse segmento é o enoturismo, um mix de serviços de alojamento, comércio, alimentação e entretenimento relacionados ao vinho, com tours guiados a vinícolas e videiras, por exemplo. Em destinos tradicionais na Europa, como Alemanha, França, Portugal e Espanha, o enoturismo compete em visitações a museus e monumentos históricos.

No Brasil, o turismo na Serra Gaúcha, por exemplo, antes concentrado nas cidades de Canela e Gramado teve seus “limites” ampliados até o Vale dos Vinhedos, região formada por Garibaldi, Monte Belo do Sul e Bento Gonçalves. Números do relatório “O setor de bebidas no Brasil”, do BNDES (Banco Nacional do Desenvolvimento Econômico e Social) mostram que em 2011, o Vale dos Vinhedos foi visitado por 228 mil pessoas, um crescimento de 60% comparado a 2007. E no ano passado, só Bento Gonçalves recebeu mais de 1,2 milhão de turistas, apresentando um crescimento de 20% em relação a 2014.

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A cidade organizou roteiros turísticos na cidade focados em vinícolas, o que fez com que elas desenvolvessem estruturas próprias para receber os visitantes. Para o secretário municipal de turismo de Bento Gonçalves, Gilberto Durante, esse tipo de viagem é uma estratégia de resultados positivos para as empresas envolvidas e que pode ser utilizado como diferencial ante outros destinos.

Essa opinião é compartilhada pelo presidente da Aprovale (Associação dos Produtores de Vinhos Finos do Vale dos Vinhedos) Márcio Brandelli. A região desenvolveu uma estratégia de “imersão” em que o turista – além de visitar a chamada Rota dos Vinhos – pode se hospedar em hotéis e pousadas com temáticas relacionados ao vinho, irem à restaurantes parceiros estabelecidos na região. Com essa iniciativa, 23 vinícolas e 18 empreendimentos de agricultura familiar, por exemplo, têm se beneficiado do turismo.

O relatório do BNDES indica ainda que ações pontuais como eventos também podem ser utilizadas como enoturismo. Como exemplo cita a Festa Nacional do Vinho, a Festa do Champanha, a Festa da Vindima e a Festa Nacional da Uva, esta última realizada desde 1930.

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Segundo o sócio diretor do Grupo Valduga, Juarez Valduga, muitas vezes empreendedores devem se esforçar sobre o “nada”, para criar uma identidade regional que atraia turistas. A estrutura de restaurante e hospedagem que levam o sobrenome da família foram desenvolvidos entre os anos de 1994 e 1995, pois havia poucas soluções para o turismo naquela região.

Porém, ninguém precisa criar toda uma infraestrutura, se é possível fazer parte dela: Isso pode ser feito com as empresas se reunindo e se dando suporte mutuamente. “As vinícolas abrem as portas, apoiam restaurantes e lojas (que vendem vinhos locais) e criam pacotes com as pousadas e hotéis”. A parceria funciona como um trampolim para alcançar o consumidor.

Com cada empresa fazendo sua parte é possível ainda desenvolver programas de capacitação: em 2013 a Abrasel RS (Associação Brasileira de Bares e Restaurantes do Rio Grande do Sul) realizou um programa para garçons que incluía boas práticas de manipulação, gestão de restaurantes, cozinha e um aprofundado estudo do turismo na região. Além disso, o IFRS (Instituto Federal do Rio Grande do Sul) em parceria com o SENAC (Serviço Nacional de Aprendizagem Comercial) formou 100 sommeliers, nos últimos anos. Em abril de 2016, um curso da ABS RS (Associação Brasileira de Sommeliers-Rio Grande do Sul) formou 40 sommeliers profissionais.

Na opinião de Valduga, esse esforço conjunto cria uma identidade regional essencial para atrair turistas – “Canela e Gramado são famosos pelos chocolates e o Vale dos Vinhedos pelas bebidas”, exemplifica -, e ajuda a consolidar a marca, fideliza o cliente que ao voltar para casa procura pelo vinho em supermercados de sua cidade. “Esse reconhecimento é o prêmio máximo de um bom trabalho e quebra paradigmas de que o vinho brasileiro não tem qualidade”.

carta de vinhos