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Sommelier ensina o que evitar ao criar sua carta de vinhos

A carta de vinho é o cartão de visitas de um restaurante, assim como o cardápio. Muitas vezes, inclusive, ela é a grande responsável por fidelizar os clientes e aumentar o consumo. E é exatamente por isso que é preciso cuidado e conhecimento no momento de montar o menu e harmonizar os vinhos com os pratos e, até mesmo, com a proposta do estabelecimento.

De acordo com Tiago Locatelli, sommelier loja Decanter, a carta de vinhos deve ser criada sempre pensando no que o cliente busca. Apesar de parecer uma dica óbvia, ela abre espaço para erros muito comuns nesse momento. Veja quais são eles a seguir para evitá-los ao montar uma carta de vinho:

Confundir gosto pessoal com perfil de clientes

Esse é um dos erros mais comuns que os sommeliers cometem ao criar a carta de vinho, de acordo com Locatelli. “A escolha não deve ser baseada no gosto pessoal do sommelier, e sim, feita para o cliente”.

Por isso, o primeiro passo nesse momento é entender quem são as pessoas que frequentam o estabelecimento. Analisar pontos como o poder aquisitivo, pratos mais pedidos, momentos em que vão ao restaurante, entre outros, pode fazer toda a diferença para montar a carta de vinho.

Pense que algumas casas são mais procuradas para happy hours e por pessoas jovens, enquanto outros são lembrados no almoço em domingo com a família. Para cada um desses públicos, portanto, uma carta será mais adequada e agradará mais do que outras.

Estabelecer preços aleatoriamente

É bom evitar rótulos muito caros. Os vinhos devem ser precificados de acordo com o nível do restaurante“, recomenda o sommelier. Aqui, novamente, o perfil das pessoas que frequentam o restaurante e a abordagem do próprio local vão ditar os preços dos vinhos.

Isso não quer dizer que você pode cobrar mais caro ou que deve abaixar muito o preço do rótulo dependendo do lugar. Mas sim, que o cliente deve estar a par do custo envolvido na oferta para que possa fazer uma escolha consciente.

Em outras palavras, um restaurante diferenciado, com taças exclusivas, ingredientes sazonais e armazenamento correto do vinho agrega outros valores ao produto. Nesses casos, o cliente estará comprando a experiência como um todo, e não apenas o vinho em si.

Não conseguir definir uma boa seleção de rótulos

Locatelli ainda diz que é preciso evitar vinhos repetitivos. “É bom ter algumas marcas conhecidas, mas também novidades e achados de pequenos produtores e regiões menos badaladas.

Estar atento às novidades e destacar os rótulos mais pedidos não é apenas uma excelente dica para montar uma boa carta de vinho, como também, para manter os clientes satisfeitos e interessados em voltar e experimentar novidades.

Achar que a carta de vinho explicativa não é necessária

A maioria dos estabelecimentos opta por um menu explicativo em que aponta os vinhos que melhor harmonizam com cada prato. Há quem ache que isso é desnecessário, pois inibe o cliente a experimentar ou a pedir os vinhos que mais o agradam.

No entanto, a carta explicativa é muito importante, tanto no que diz respeito a sugerir as melhores harmonizações como também para educar os clientes sobre o consumo do vinho. Especialmente em restaurantes com menus diferenciados ou que não se encaixam no que é considerado como “padrão” para o consumo da bebida, esse tipo de atitude se faz ainda mais importante. Tenha em mente que a carta explicativa é uma atitude que vai auxiliar o cliente e não o intimidar.