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Você sabe qual a melhor uva para vinho brasileiro?

A publicidade brasileira enriqueceu, ao longo dos anos, algumas características da cerveja a ponto de transformá-la em uma das paixões nacionais. Acontece que a bebida fermentada nunca foi a única predileção do consumidor que se deixa fisgar pelo paladar. Afinal, o vinho tem tradição forte em nossas terras, com ampla variedade e um apreço cada vez maior do público.

Prova disso é a expansão de produtores ao redor do País, fugindo do tradicional circuito na região Sul. E, para mostrar o quanto isso está a cada dia mais evidente, este artigo vai tratar um pouquinho a respeito da uva para vinho brasileiro e como ela se diferencia em cada região. Acompanhe!

O gradativo desenvolvimento do mercado ajudou a fazer com que novas regiões fossem exploradas, processos experimentados e novos rótulos criados. Mas, sem dúvidas, existe um aspecto bastante característico quando pensamos em uva para vinhos brasileiros:

“O Brasil é emblemático por seus espumantes, principalmente, mas é errado julgar ou pressupor que somos um país exclusivamente produtor de espumante — apesar de nossos melhores e mais famosos exemplares serem desse estilo”, avalia André Santos, representante comercial na importadora Devinum.

Para Santos, a popularização dos vinhos em terras tupiniquins tem sido determinante para um horizonte ainda mais diferenciado no mercado de vinhos: “Acho que hoje, no Brasil, temos uma variedade muito boa de estilo de vinhos e cepas… E cada região vem pegando de certa forma uma cepa emblemática e trabalhando-a”.

As regiões onde diferentes tipos de uvas se destacam no País

O aspecto geográfico é um ponto interessante, pois é um dos principais fatores que tem gerado regiões com algumas especialidades e características. E Santos aponta onde alguns tipos de uva para vinho brasileiro têm se destacado:

“No Rio Grande do Sul, tratando apenas de vinho tinto, já que estamos no inverno agora, podemos destacar a Serra Gaúcha, que é produtora de diversos tipos, como Cabernet Sauvignon, Merlot e Cabernet Franc, entre outros. Trata-se de uma região bem eclética, onde encontramos variedades ainda mais diferenciadas, como: Barbara, Sangiovese, Nebbiolo …”, revela Santos, que ainda destaca a proximidade com os hermanos uruguaios para usufruirmos de rótulos diferenciados de Tannat.

Dando sequência ao giro pelo País, passando pelo Paraná (onde o representante comercial afirma existirem boas opções locais) e, assim, saindo do tradicional eixo Sul, Santos aponta outras regiões de grande destaque no mercado de vinhos:

Provei um syrah e alguns vinhos brancos de uma vinícola chamada Guaspari, que fica em Espírito Santo dos Pinhais, em São Paulo, e que estão sensacionais. Além disso, subindo um pouco, já encontramos também muitos vinhos no Estado do Espírito Santo, com bons exemplares de brancos e rosados”, recomenda o representante comercial, que faz um arco também com as margens do Rio São Francisco:

“Por ali temos a Miolo, que há muitos anos faz um grande trabalho, em que eu destacaria a cepa Syrah de lá, também, além da tradicional e rainha das uvas: a Cabernet Sauvignon”.

Existem características específicas para os diferentes tipos de uva para vinho brasileiro?

Nesse aspecto, Santos coloca na balança a diversidade que se cultiva no País, bem como a especialização dos produtores cada vez mais qualificada para conquistar o consumidor interno. Mas, ao avaliar as características peculiares dos diferentes tipos de uva para vinho brasileiro, ele prefere destacar justamente a expertise desses produtores espalhados de Norte a Sul do Brasil:

“Cada cepa tem empregada, em seu DNA, uma identidade própria, certo? Mas, além disso, devemos pesar as condições do ambiente onde ela é cultivada e também a mão do produtor, que tem muita influência sobre as cepas e todo o processo. Logo, seria incerto avaliar cepas específicas, como se pudéssemos encontrar as mesmas características em rótulos diferentes”.

Ou seja: a produção de vinho é uma arte que, com certeza, muda de mão em mão. E, para celebrar toda essa variedade, que tal conferir, agora, algumas dicas para oferecer vinhos brasileiros aos consumidores?